sábado, 1 de agosto de 2026

DA HUMANIDADE IMPERFEITA DO SER A MEMÓRIA DIGNA DE SER PRESERVADA - BIOGRAFIA DE PEDRO SENNE LEITE

"O homem vê as aparências, mas o Senhor vê o coração."

1 Samuel 16:7


[Meus avós maternos Pedro Senne Leite e Leonídia Ribeiro Leite, fotografia tirada em agosto de 2008]

Pedro Senne Leite nasceu em Guaratinguetá, São Paulo, em 8 de março de 1938, e faleceu em 15 de setembro de 2008, aos 70 anos. Homem de personalidade forte e temperamento marcante, jamais passou despercebido por onde esteve. Era conhecido pelo jeito direto de falar, pela língua afiada e pelo humor irreverente. Daqueles que, como costumava dizer quem o conhecia, "perde a amizade, mas não perde a piada".

Sua história de amor com Leonídia começou de maneira curiosa e inesquecível. Durante a tradicional Festa de São Benedito, em Piquete, avistou Leonídia caminhando ao lado da mãe e da irmã em direção à Igreja Metodista. Encantado, seguiu discretamente o caminho até o templo e aguardou pacientemente o término do culto para se apresentar e acompanhá-la até sua casa. Daquele encontro nasceu uma união que atravessou décadas e da qual vieram cinco filhos: Sandra, Flodoaldo, Pedro, Silvana e Alessandro.

Mais tarde, a família cresceria com a chegada de onze netos — Rafael, Bruna, Camila, Luiz Cláudio, Jéssica, Lucas, Bianca, Thiago, David (in memoriam), Vinícius e Matheus —, que, à sua maneira, ocupavam um lugar especial em seu coração. Pedro nem sempre demonstrava carinho com palavras ou gestos, mas fazia questão da presença de todos. Para ele, qualquer data comemorativa era motivo suficiente para reunir a família ao redor da mesa que estava sempre farta. Estar cercado pelos filhos e netos era uma das formas mais sinceras de felicidade que conhecia.

Profissionalmente, construiu uma sólida trajetória no Banco Mercantil, onde trabalhou durante muitos anos como bancário. Era um homem disciplinado, sistemático, organizado e extremamente meticuloso  com suas responsabilidades e funções, além de deter uma inteligência lógico-matemática para além da média.

Fora do trabalho, cultivava duas grandes paixões: o Corinthians e os automóveis que conquistou durante sua caminhada terrena. Corintiano até o último dia de vida, acompanhava seu time com grande entusiasmo. Já pelo seu inseparável Fiat Uno, nutria um amor incontrolável, motivo inclusive de inúmeras brincadeiras dentro da família. 

Outro grande amor era a cidade de Ubatuba. As férias da família tinham destino praticamente certo: o litoral norte paulista. Ali foram construídas muitas das lembranças mais felizes dos filhos e netos. Contudo, no ano de 2008, pela primeira vez, quando um dos filhos perguntou se levaria novamente todos os netos para Ubatuba, Pedro respondeu apenas: "Eu vou descansar." Na época, ninguém compreendeu o peso daquela frase. Mais tarde, ela seria lembrada como uma despedida silenciosa.

Pedro Senne Leite não foi um homem fácil, muito pelo contrário, era extremamente exigente com tudo e com todos. Sua história está longe de ser a mais perfeita. Vovô era controlador, desconfiado, meticuloso, machista e, por vezes, excessivamente centrado em suas próprias convicções. Trazia consigo marcas profundas da geração em que foi formado. Conviver com ele exigia paciência, firmeza, embates e muita compreensão. Ainda assim, possuía um senso de responsabilidade admirável, era generoso quando alguém precisava de ajuda e colocava a família no centro de sua existência, ainda que não expressa em palavras. Seu amor nem sempre era delicado, mas quase sempre se expressava por meio do cuidado, da provisão e da presença.

Embora tenha convivido durante toda a vida com a fé metodista de sua esposa e de boa parte dos filhos e netos, permaneceu fiel às suas raízes católicas. Era devoto de Nossa Senhora Aparecida, ainda que não fosse um praticante assíduo. Frequentava a Igreja principalmente nas grandes celebrações do calendário cristão, como o Natal, a Páscoa, o Dia de Nossa Senhora Aparecida e às missas em intenção de familiares e amigos falecidos. E, tinha um detalhe curioso nessa história toda: no começo não gostava de protestantes, mas foi obrigado a aceitar ao longo da vida. Em seus últimos anos de vida, porém, algo pareceu mudar em seu interior. Tornou-se mais silencioso, contemplativo e aberto às questões espirituais. Demonstrava uma serenidade pouco comum em comparação aos anos anteriores. Em 2008, pediu perdão a alguns irmãos, reconciliou-se com amigos e organizou cuidadosamente toda a documentação da família, entregando-a aos cuidados de Leonídia, sua esposa "caso alguma coisa acontecesse com ele". Tais gestos revelaram uma consciência da finitude que impressionou todos os que conviveram com ele.

Pouco tempo depois, numa tarde de sábado, subiu à laje de casa para cortar os galhos de um pé de abacate. Durante o trabalho sofreu um mal súbito, caiu e teve um grave traumatismo craniano. Permaneceu internado em Unidade de Terapia Intensiva por quinze dias, até que, em 15 de setembro de 2008, teve sua morte confirmada após o diagnóstico de morte encefálica.

Pedro Senne Leite deixou muito mais do que lembranças. Deixou uma família numerosa, que entre filhos, netos, bisnetos e agregados já somam pouco mais de 45 pessoas, um legado de trabalho, responsabilidade e perseverança. Sua personalidade firme produziu amores, conflitos, aprendizados e memórias que permanecem vivas naqueles que o conheceram. Sua vida recorda que ninguém é feito apenas de virtudes ou apenas de defeitos. Somos, todos, uma combinação de luzes e sombras. E talvez seja justamente essa humanidade imperfeita que torna sua memória tão verdadeira, tão próxima e tão digna de ser preservada.

                                       

[Ubatuba-SP, férias de janeiro de 1996]



[Jazigo Perpétuo da Família Monteiro Senne Leite, localizado no Cemitério Municipal de Lorena-SP, onde repousam os restos mortais de meu avô, Pedro Senne Leite, ao lado de seus pais, irmãos e alguns sobrinhos].

quarta-feira, 29 de julho de 2026

ONDE O AMOR PERMANECE - BIOGRAFIA DE LENITA LEITE DA COSTA

 "A memória do justo é abençoada."

— Provérbios 10:7


"Onde o amor permanece - Biografia de Lenita Leite da Costa"
Por: Rafael Victor Ribeiro

Lenita foi uma mulher de personalidade marcante, dona de uma presença que dificilmente passava despercebida. Elegante, inteligente, criativa e profundamente justa, possuía um jeito único de enxergar a vida e de se relacionar com as pessoas. Apaixonante e, ao mesmo tempo, imponente, conquistava aqueles que a conheciam pela sinceridade, pelo bom humor e pelo coração generoso.

Nasceu em Lorena, no interior de São Paulo, em 12 de outubro de 1947, cidade onde viveu parte de sua infância e juventude. Ainda muito jovem, revelou seus dons artísticos ao participar de um programa de rádio da cidade, ocasião em que foi premiada pelo timbre singular e inesquecível de sua voz. A música e a arte sempre fizeram parte de sua essência "libriana" do segundo decanato.

Mais tarde, estabeleceu-se em Santos, cidade que se tornaria seu verdadeiro lar e a qual passou a chamar carinhosamente de sua "cidade do coração". Ali construiu sua história, formou uma linda família e cultivou amizades que a acompanharam por muitos anos.

Era uma mulher que encontrava felicidade nas coisas simples. Gostava de caminhar pela orla da praia, contemplar o pôr do sol, tomar água de coco gelada e desfrutar da tranquilidade que a vida podia oferecer. Frequentava a Faculdade da Terceira Idade, ambiente onde ampliou seu círculo de amizades e continuou aprendendo, demonstrando que nunca é tarde para crescer e compartilhar experiências.

Viajar era outra de suas grandes paixões. Sempre que possível, visitava cidades e conhecia novos lugares, nutrindo especial admiração pelos grandes templos católicos. Sua fé era parte inseparável de sua vida. Todos os anos, fazia questão de celebrar seu aniversário, em 12 de outubro, em Aparecida, onde costumava dizer, com alegria: "Vou passar o dia na casa da Mãe."

Entretanto, acima de qualquer conquista ou realização, sua maior riqueza era a família. Dedicou-se inteiramente aos seus, a quem chamava de seus verdadeiros tesouros. Amava cuidar, proteger e estar presente, irradiando carinho, acolhimento e luz. Sentia profundo orgulho da família que ajudou a construir e encontrava nela sua maior razão de viver.

Seu sorriso era uma de suas marcas mais inesquecíveis. Gostava de contar histórias e, antes mesmo de terminar, costumava render-se à própria gargalhada, contagiando todos ao seu redor. Era uma alegria espontânea que permanecia na memória de quem teve o privilégio de conviver com ela.

Mesmo vivendo em Santos, jamais rompeu os laços com Lorena. Visitava frequentemente os familiares, mantendo viva a ligação com suas origens e demonstrando que a distância nunca foi capaz de diminuir o amor que sentia pelos seus.

Nos últimos anos de sua vida, experimentou uma das maiores dores que um coração pode suportar: a perda de sua irmã Leoni, com quem compartilhava um vínculo profundo de amizade, cumplicidade e amor. A saudade esteve presente diariamente, tornando ainda mais evidente o tamanho da ligação que existia entre ambas.

Lenita partiu em 14 de maio de 2022, aos 75 anos, deixando um legado que não se mede por bens materiais, mas pelo amor que distribuiu, pelas histórias que compartilhou, pelos valores que ensinou e pelos laços que fortaleceu. Sua memória permanece viva em cada lembrança, em cada ensinamento e em cada sorriso daqueles que tiveram a graça de fazer parte de sua caminhada.

Seu exemplo continua inspirando a família a viver com dignidade, generosidade, fé e alegria, virtudes que fizeram de sua vida uma bela história digna de ser lembrada por muitas gerações.


[Tia Lenita recebendo o prêmio de melhor voz do programa Ciranda-Cirandinha, rádio Lorenense]


[Tia Lenita com sua inseparável irmã Leoní]

A FÉ QUE TRANSFORMOU A DOR EM AMOR: BIOGRAFIA DE ESMERALDINA RIBEIRO ALVES

 

"Abre a mão ao aflito; e ainda a estende ao necessitado."

 Provérbios 31:20 

Esmeraldina Ribeiro Alves nasceu em 17 de dezembro de 1917, em Virgínia, Minas Gerais, e faleceu em 29 de julho de 1995, em Lorena, São Paulo. Sua vida foi marcada por profundas dores, mas, sobretudo, por uma fé inabalável, pelo serviço ao próximo e por uma extraordinária capacidade de transformar o sofrimento em amor. Ainda jovem, por volta de 1929, juntamente com sua família, converteu-se ao protestantismo, passando a integrar a Igreja Metodista, comunidade à qual permaneceu fiel até o fim de seus dias. Sua fé não era apenas professada, mas vivida diariamente por meio de atitudes silenciosas e generosas. Era uma mulher de poucas palavras e sem instrução formal, aprendeu a ler e a escrever durante a velhice; possuía uma sabedoria que a vida lhe ensinou. Enfrentou perdas que poucas pessoas conseguiriam suportar. Ao longo da maternidade, viu cinco de seus filhos falecerem ainda pequenos, depois de viverem apenas alguns meses. Mais tarde, sofreu o abandono do marido que sofria esquizofrenia e precisou aprender a enfrentar o preconceito imposto às mulheres desquitadas em uma sociedade marcada por rígidos julgamentos. Mesmo diante de tantas adversidades, criou com dignidade e amor seus quatro filhos sobreviventes: Eliel, Leonídia, Leontina e Maurisa. Com o trabalho humilde de lavadeira, sustentou a família e garantiu que seus filhos tivessem condições de seguir em frente. Sua dedicação à Igreja Metodista foi uma das marcas mais profundas de sua existência. Em Piquete e, posteriormente, em Lorena, serviu durante muitos anos na Ação Social e no ministério de Visitação, levando conforto aos enfermos, visitando orfanatos, asilos e idosos acamados da Igreja. Para ela, servir era uma forma de testemunhar o Evangelho de Jesus. Dotada de grande habilidade manual, dominava com impressionante talento as técnicas de crochê, tricô, bordado e corte e costura. Seus trabalhos não eram apenas fonte de renda, mas também expressão de carinho e instrumento de solidariedade, frequentemente destinados às ações beneficentes da Igreja. Nos últimos anos de vida, enfrentou o câncer por duas vezes. Na primeira, os médicos lhe deram apenas seis meses de vida, porém, viveu mais oito anos. Na segunda vez, a ocorrência foi mais agressiva e acabou por levá-la. Mesmo convivendo com intensas dores, raramente reclamava. Quase nunca falava sobre os sofrimentos do passado. Costumava dizer que o sofrimento de Cristo na cruz era infinitamente maior do que qualquer dor que ela pudesse sentir e, por isso, oferecia suas próprias aflições a Deus como forma de sacrifício de louvor. Em um dos gestos mais simbólicos de sua vida, deixou preparados, antes de falecer, seus últimos trabalhos de artesanato destinados à Ação Social da Igreja Metodista, bem como separado o valor de seu fiel dízimo. Até seus últimos dias, permaneceu servindo a Deus e ao próximo, demonstrando que sua fé não dependia das circunstâncias, mas era o alicerce sobre o qual edificou toda a sua existência. A história de Esmeraldina Ribeiro Alves é a história de uma mulher simples, cuja grandeza jamais esteve nos títulos ou nos bens materiais, mas na coragem de enfrentar as perdas, na força para recomeçar do zero, na dedicação aos filhos, no serviço aos necessitados e na confiança inabalável em Deus. Seu legado permanece vivo na memória de sua família e de sua Igreja, além de todos aqueles que tiveram o privilégio de conhecer sua humildade, sua generosidade e fé. Graças e Louvores sejam dadas a Jesus pela vida de D. Esmeraldina Ribeiro Alves.

Autoria: Rafael Victor Ribeiro [bisneto de dona Esmeraldina].

DA CLASSE E ELEGÂNCIA À SIMPLICIDADE E HUMILDADE DE UMA MULHER CHAMADA LEONÍ LEITE DA SILVA

 "Na casa de meu Pai há muitas moradas. Se assim não fosse, eu vos teria dito. Vou preparar-vos um lugar. E, quando eu for e vos preparar um lugar, voltarei e vos levarei comigo, para que, onde eu estiver, estejais vós também." 

São João 14:2-3 


Leoni Leite da Silva nasceu em Guaratinguetá, São Paulo, no dia 10 de setembro de 1944, e faleceu em Lorena, em 3 de novembro de 2018. Mulher de personalidade forte e singular, marcou profundamente a vida de todos aqueles que tiveram o privilégio de conviver com ela. Sua trajetória foi construída sobre pilares de trabalho, fé, amor à família e um refinado senso de beleza. Ainda muito jovem conquistou sua independência financeira, tornando-se uma empresária de sucesso no ramo da beleza. Foi proprietária de três salões de beleza, estabelecidos nas cidades de Piquete, Lorena e Guaratinguetá, fez de sua profissão uma verdadeira arte, e suas clientes foram fiéis até o fim. Possuía um olhar apurado para a estética, o requinte e a sofisticação, transformando cada detalhe em expressão de bom gosto. Era vaidosa, meticulosa e extremamente criativa, sempre buscando inovar e oferecer o melhor àqueles que a cercavam. Sua sensibilidade artística também se revelava no apreço pela música. Entre as melodias que mais tocavam seu coração estava a tradicional "Ave Maria" de Gounod, que gostava especialmente de ouvir seu sobrinho-neto Rafael ao piano. Esses momentos se tornaram lembranças preciosas para seus familiares, pois a música parecia traduzir a delicadeza de sua fé e a profundidade de sua alma. Profundamente devota de Nossa Senhora da Piedade, Leoni viveu sua espiritualidade de maneira concreta e perseverante. Durante muitos anos participou ativamente das tradicionais festividades de 15 de agosto, dedicadas à padroeira, demonstrando seu amor à Igreja e à comunidade. Mesmo nos momentos mais difíceis de sua vida, jamais abandonou sua fé. A participação na Eucaristia era parte essencial de sua caminhada cristã, sustentando-a nas alegrias e, sobretudo, nas provações. No ambiente familiar, Leoni era muito mais do que uma esposa dedicada e mãe amorosa dos três filhos. Era aquela rara figura de "irmã-mãe": acolhedora, protetora e sempre pronta a cuidar dos seus. Foi uma cunhada admirável e uma tia presente, participando da vida de todos os sobrinhos com carinho, atenção e amor. Sua casa era um espaço de acolhimento, onde o cuidado se manifestava tanto nas palavras quanto nos pequenos gestos. Era também uma excelente administradora do lar. Cozinhava com maestria, organizava a casa com perfeição e possuía um talento quase natural para tornar tudo mais belo. Bastava colocar algumas flores em um vaso para que elas parecessem ganhar nova vida em suas mãos. Seu senso estético estava presente em tudo o que fazia, desde a decoração da casa até as celebrações familiares. Sua criatividade encantava adultos e crianças. Um dos episódios mais lembrados aconteceu em um Natal, quando confeccionou uma árvore natalina adornada com enfeites de chocolate, surpreendendo e encantando seus netos. Gestos como esse revelavam sua capacidade de transformar ocasiões simples em memórias inesquecíveis. Leoni também desempenhou um importante papel como guardiã da memória familiar. Zelava com amor e cuidado do túmulo de seus pais, gostava de narrar aos filhos, netos e sobrinhos as histórias que ouvira de sua avó, Ignácia Carolina de Carvalho, preservando as lembranças e acontecimentos que, graças à sua memória e dedicação, atravessaram gerações. Seus últimos anos de sua vida foram marcados por grandes desafios de saúde. Enfrentou problemas sérios cardíacos e limitações decorrentes de dores no joelho, suportando cada dificuldade com coragem e uma fé inabalável. Apesar do sofrimento na carne, nunca perdeu o amor pela vida. Viveu intensamente cada etapa de sua existência, encontrando força na oração e na esperança cristã. Em novembro de 2018, após um quadro de internações, concluiu sua jornada terrena. Aqueles que conviveram com ela guardam a imagem de uma mulher que soube viver plenamente, amar profundamente e servir generosamente os seus. Em sua esperança de fé, acreditava que um dia reencontraria sua mãe, Celencina, de quem sentia saudades e por quem nutria um amor imenso. Sua lembrança permanece viva na beleza que ensinou a enxergar, na elegância com que conduziu a própria vida, na dedicação à família, nas histórias que preservou, na fé que testemunhou e no amor que semeou. Seu legado continua florescendo na memória de todos aqueles que tiveram a graça de chamá-la de esposa, mãe, avó, irmã, tia e amiga.

terça-feira, 28 de julho de 2026

BENDITA SEJA, REGINA!

 

[Mamãe Sandra Regina Ribeiro em momentos diversos]

Bendito seja o teu ventre, que me gerou. Bendita seja a tua essência e a tua história, que me fizeram existir. Benditos sejam o teu cuidado, o teu colo e o teu amor de mãe: o amor mais puro e genuíno, que acolhe, abraça, às vezes sufoca, mas que aceita as nossas melhores e piores versões.

Bendita sejas tu, filha e neta zelosa, que carrega em teu íntimo a presença de tantas mulheres, das quais aprendi a honrar a nossa memória e a manter viva a nossa ancestralidade que pulsa.

Bendita seja a tua capacidade cognitiva para tantos temas e assuntos, a tua diplomacia e elegancia, a tua admirável organização sistemática e estética, além da habilidade de discordar e argumentar com inteligência qualquer que seja o assunto.

Bendita seja a tua essência feminina, o teu toque sutil para as artes, para a docência e para gerir com tanta sabedoria, um lar que abriga tantas histórias.

Bendita sejas tu e a tua música, que me inspirou ao longo da minha caminhada. Bendita sejas tu, mulher forte, sábia e corajosa. Mulher que se faz presente e presença, que se faz ser vista e admirada e que, nos bons e nos maus momentos, permanece ao nosso lado. 

Bendita seja a tua prece, que nos mantém de pé e a tua capacidade de não medir esforços para que teus filhos, que nasceram de tuas entranhas, tenham sempre o melhor de ti, talvez aquilo que nunca tivesses antes. 

Bendita sejas tu, que me ensinaste com o teu próprio exemplo o valor da honestidade, da ética, da fé, da perseverança e da paixão pela vida, preceitos da efêmera dignidade humana. 

Bendita sejas tu, mamãe, de nome Sandra Regina, de origem grega e latina, que significa: "Aquela que protege" e "Rainha". Bendita sejas tu por cada renúncia silenciosa, por cada lágrima escondida e por cada oração feita ao tempo.

Que a Divina Ruah te conceda todas as alegrias desta vida, renovando sempre a tua saúde, concedendo-te uma vida próspera, longa e repleta de paz ao lado dos seus, para que possamos continuar escrevendo juntos a história deste estranho e maravilhoso jogo chamado vida.

Parabéns, mamãe. Nós te amamos e damos graças pela sua preciosa existência.

 


terça-feira, 14 de julho de 2026

DOZE ANOS DE MAGISTÉRIO EM LORENA-SP [14 DE JULHO DE 2026]

 


Hoje completo 12 anos de pleno exercício efetivo como professor Arte-Educador na Rede Municipal de Ensino de Lorena, e só tenho a agradecer a Deus por tudo o que fez por mim.

Ao longo desses anos, vivi muitas alegrias e alguns dissabores. Por muitas vezes pensei em desistir; só não o fiz porque Deus não permitiu. Entre erros e acertos — afinal, faz parte da nossa humanidade errar — ajudei a construir sonhos e a dar esperança a alguns futuros incertos.

Tive muitas perdas ao longo dessa história, além de algumas perseguições. Aprendi a lidar com a falta dos recursos necessários para uma educação de qualidade, que sempre vive à mercê dessa politicagem suja, a qual, no discurso, diz que tudo é em prol das crianças, mas, na prática, a realidade é  outra.

Nessa profissão, conheci o melhor e o pior do ser humano e fiz-me respeitado tão somente por minha competência profissional, já que nunca precisei ser "lambe-botas" de ninguém para galgar posições elevadas na educação. Tudo o que conquistei foi fruto do meu mérito, do meu trabalho e claro, da graça de Deus.

Os anos passam, e minha prece continua sendo a mesma do clérigo anglicano John Wesley: "Lord, don't let me live in vain"  ("Senhor, não permitas que eu viva em vão!").

E assim vamos vivendo, aprendendo com os erros e os acertos. Se a vida por vezes azeda, ela também exige de nós a força necessária e a oportunidade de fazer diferente.

Ao Dono da minha vida, aos meus pais e avós, aos meus muitos alunos, aos colegas de profissão e aos amigos que caminharam comigo ao longo dessa jornada, minha eterna gratidão!