"A memória do justo é abençoada."
— Provérbios 10:7
Lenita foi uma mulher de personalidade marcante, dona de uma presença que dificilmente passava despercebida. Elegante, inteligente, criativa e profundamente justa, possuía um jeito único de enxergar a vida e de se relacionar com as pessoas. Apaixonante e, ao mesmo tempo, imponente, conquistava aqueles que a conheciam pela sinceridade, pelo bom humor e pelo coração generoso.
Nasceu em Lorena, no interior de São Paulo, em 12 de outubro de 1947, cidade onde viveu parte de sua infância e juventude. Ainda muito jovem, revelou seus dons artísticos ao participar de um programa de rádio da cidade, ocasião em que foi premiada pelo timbre singular e inesquecível de sua voz. A música e a arte sempre fizeram parte de sua essência "libriana" do segundo decanato.
Mais tarde, estabeleceu-se em Santos, cidade que se tornaria seu verdadeiro lar e a qual passou a chamar carinhosamente de sua "cidade do coração". Ali construiu sua história, formou uma linda família e cultivou amizades que a acompanharam por muitos anos.
Era uma mulher que encontrava felicidade nas coisas simples. Gostava de caminhar pela orla da praia, contemplar o pôr do sol, tomar água de coco gelada e desfrutar da tranquilidade que a vida podia oferecer. Frequentava a Faculdade da Terceira Idade, ambiente onde ampliou seu círculo de amizades e continuou aprendendo, demonstrando que nunca é tarde para crescer e compartilhar experiências.
Viajar era outra de suas grandes paixões. Sempre que possível, visitava cidades e conhecia novos lugares, nutrindo especial admiração pelos grandes templos católicos. Sua fé era parte inseparável de sua vida. Todos os anos, fazia questão de celebrar seu aniversário, em 12 de outubro, em Aparecida, onde costumava dizer, com alegria: "Vou passar o dia na casa da Mãe."
Entretanto, acima de qualquer conquista ou realização, sua maior riqueza era a família. Dedicou-se inteiramente aos seus, a quem chamava de seus verdadeiros tesouros. Amava cuidar, proteger e estar presente, irradiando carinho, acolhimento e luz. Sentia profundo orgulho da família que ajudou a construir e encontrava nela sua maior razão de viver.
Seu sorriso era uma de suas marcas mais inesquecíveis. Gostava de contar histórias e, antes mesmo de terminar, costumava render-se à própria gargalhada, contagiando todos ao seu redor. Era uma alegria espontânea que permanecia na memória de quem teve o privilégio de conviver com ela.
Mesmo vivendo em Santos, jamais rompeu os laços com Lorena. Visitava frequentemente os familiares, mantendo viva a ligação com suas origens e demonstrando que a distância nunca foi capaz de diminuir o amor que sentia pelos seus.
Nos últimos anos de sua vida, experimentou uma das maiores dores que um coração pode suportar: a perda de sua irmã Leoni, com quem compartilhava um vínculo profundo de amizade, cumplicidade e amor. A saudade esteve presente diariamente, tornando ainda mais evidente o tamanho da ligação que existia entre ambas.
Lenita partiu em 14 de maio de 2022, aos 75 anos, deixando um legado que não se mede por bens materiais, mas pelo amor que distribuiu, pelas histórias que compartilhou, pelos valores que ensinou e pelos laços que fortaleceu. Sua memória permanece viva em cada lembrança, em cada ensinamento e em cada sorriso daqueles que tiveram a graça de fazer parte de sua caminhada.
Seu exemplo continua inspirando a família a viver com dignidade, generosidade, fé e alegria, virtudes que fizeram de sua vida uma bela história digna de ser lembrada por muitas gerações.
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