domingo, 1 de novembro de 2026

CAMINHO DA ESPERANÇA - RITO ECUMÊNICO PARA QUEM VISITA O CEMITÉRIO


[Túmulo do Ir. Roger Schutz, fundador da Comunidade Taizé, França | imagem da internet sem menção de autoria]

ORAÇÃO INICIAL

✠ Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Amém.

Senhor Deus, Pai de misericórdia, fonte de amparo e proteção de toda a vida, diante deste túmulo, onde repousam os restos mortais de meus familiares, venho recordar, com carinho e gratidão, aqueles que me precederam e agradecer por suas vidas. 

Recebei, Senhor, estas flores, esta singela vela que é símbolo de tua luz em nós, e esta nossa oração como sinais concretos e visíveis da nossa memória, do nosso carinho e amor por tantas vidas e por tudo aquilo que aqueles que aqui jazem transmitiram às gerações que vieram depois deles.

Senhor, fonte de vida e misericórdia, não ofereço essas flores/velas aos falecidos como quem lhes presta culto. Coloco-as aqui porque honro a memória daqueles/as que um dia me deram uma história, uma família e parte daquilo que sou.

Recebei, Senhor, minha gratidão e concedei a todos que repousam neste campo santo a vida eterna em Cristo, nosso Senhor.

Senhor Jesus Cristo, Filho unigênito do Pai, que, pela vossa morte e ressurreição, vencestes o sepulcro, acolhei em vossa misericórdia as almas de meus familiares falecidos e de todos os meus antepassados.

Rogamos-vos, Deus de amor: perdoai-lhes suas faltas, purificai-os de todo pecado e concedei-lhes participar da vida eterna junto de Vós.

E a mim, Senhor, concedei a graça de honrar nossa memória ancestral, vivendo sob a luz do Santo Evangelho, com dignidade, fé e amor.

Que eu possa receber e transmitir às gerações futuras aquilo que há de bom, de belo e verdadeiro na história daqueles que me precederam, procurando viver de modo genuíno a vida que recebi.

E, quando o crepúsculo de minha vida chegar, concedei-me, pela vossa infinita misericórdia, a graça de contemplar a tua Glória Eterna, para que, junto daqueles que partiram antes de mim, possamos um dia vos adorar para sempre.

A nós, que ainda caminhamos como peregrinos neste mundo hostil, concedei a esperança e a fé na ressurreição.

Por Cristo, nosso Senhor, a quem pertencem a honra e a glória, pelos séculos dos séculos.

Amém.

PAI-NOSSO [Oração Universal]

AVE-MARIA [Se for católico]

GLÓRIA AO PAI [Doxologia menor]

"Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo; como era no princípio, agora e para sempre. Amém!"

ORAÇÃO FINAL [Antes de ir embora]

Senhor, nós vos louvamos porque nos destes a vida e, em Cristo, a esperança da vida eterna.

Aos que aqui repousam, confiamos à vossa misericórdia. Acolhei-os na luz da vossa face e concedei-lhes o descanso eterno, enquanto aguardam, em Cristo, a Ressurreição.

Nós, que ainda peregrinamos neste mundo, seguimos o curso natural desta vida, com pessoas a amar e cuidar, trabalhos a realizar, caminhos a percorrer e uma história a contar.

Que a memória daqueles/as que nos precederam nos ensine a viver com fé, amor e gratidão, até o dia em que, pela vossa misericórdia, nos encontremos todos na vossa presença.

Por nosso Senhor Jesus Cristo.

Amém.

AO DEIXAR O CEMITÉRIO [opcional]

Aos fiéis defuntos, pela vossa misericórdia, dai-lhes, Senhor, o descanso eterno na mansão dos justos.

E que brilhem para eles a luz da vossa face.

Que as almas benditas descansem em paz. 

Amém.

✠ Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Amém.


RITO ORACIONAL INDICADO PARA QUEM VISITA O CEMITÉRIO NO DIA DE FINADOS OU EM DATAS ESPECÍFICAS [DIAS DAS MÃES, DIA DOS PAIS, ANIVERSÁRIO DE MORTE DE UM ENTE QUERIDO, ETC].

sábado, 31 de outubro de 2026

UM SORRISO QUE ANUNCIA O AMOR DE DEUS: HOMENAGEM A QUERIDA TIA MARA PELO DOM DA VIDA.


Por: Rafael Victor Ribeiro 

    Tia Mara é um exemplo para mim em todos os sentidos e aspectos, principalmente na sua força, na vida que pulsa e de fé. Ela é daquelas pessoas que a gente cresceu tendo como referencial do Reino de Deus, bem como ensina o Credo Social Metodista. Sua história é uma inspiração para mim e, embora não tenhamos vínculo consanguíneo, estamos ligados pelos laços que particularmente considero mais bonito, os laços de afeto e amor que foram sendo construídos à medida que o tempo passou diante dos nossos olhos. Laços que se fortaleceram ao acompanhar seu exemplo nos trabalhos da Igreja Metodista, no Coral, nos Acampamentos, na Sociedade Metodista de Mulheres e em tantos outros momentos da vida. 
    
    Pra mim, a característica mais marcante da tia Mara é seu sorriso, impossível de confundir. É cativante, acolhedor, iluminado e aquece a alma à medida em que aparece. Tia Mara é doce, gentil, simples, amorosa e daquelas que nos acolhem com o mínimo, sendo por um sorriso, por um abraço sem precisar de palavras ou por uma presença que preenche o nosso ser. 
    
Sua história é admirável: foi filha zelosa, esposa, mãe amorosa e avó tão dedicada e carinhosa. Ela tem muitos sobrinhos, e eu me incluo nesse grupo, porque a senhora é daquelas tias que a gente aprendeu a amar desde cedo nas dependências da Igreja Metodista. 

    E, já que estamos falando em vida, sei que às vezes, ela nos dá algumas rasteiras e prega certas peças difíceis de compreender, situações que jamais imaginariamos um dia ter de enfrentar. Como parte da nossa experiência humana, aprendemos, pouco a pouco, a lidar com os percalços que nos acometem, mesmo quando não estamos preparados para eles. Imagino que suas perdas recentes tenham deixado marcas profundas e sei o quanto pode estar sendo difícil reencontrar os trilhos da vida. Mas, ao olhar pra vida da senhora, me veio a mente um provérbio chinês bastante conhecido que diz assim: "A árvore mais forte nasce do solo mais difícil." E, assim, considero sua existência: Uma mulher que é símbolo de força e resiliência que nasceram da fé que sempre testemunhei na senhora. 

    Tia, quero que saiba que não é preciso ser forte o tempo todo. Existem momentos em que a alma precisa descansar, em que o coração precisa de tempo para compreender as ausências e em que até mesmo a fé, embora permaneça viva, precisa nos amparar em meio às lágrimas. Nossas fraquezas também são parte importantes nossas, e acolher quem somos nesses momentos nublados desse estranho jogo chamado vida, faz parte do nosso tempo seguindo sempre em frente. 

    A vida nos impõe ciclos que ora nascem e ora se encerram, encontros e despedidas que não escolhemos e caminhos que precisamos aprender a trilhar. Mas, no fim de tudo, descobrimos que somos mais fortes do que imaginávamos e que, mesmo quando nos sentimos frágeis, há uma força que nos sustenta e nos ajuda a continuar: Jesus! 

    Tia, eu sei que já não nos encontramos com a mesma frequência de quando estávamos juntos na Igreja. Muita coisa mudou desde então, e precisamos aprender a trilhar caminhos desconhecidos, vivendo um tempo que exige de nós coragem necessária pra continuar existindo, esperança e disposição para saber a hora de recomeçar. Como diria o poeta atemporal Ivan Lins, é preciso seguir "Antes que seja tarde!"

    Nesse vai e vem da vida, existe uma certeza que sempre permanece em nós: Jesus, que é o mesmo ontem, hoje e será por toda eternidade. Porque, quer vivamos, quer morramos, pertencemos ao Senhor, parafraseando as palavras de São Paulo aos Romanos (14,8). E é nessa certeza que encontramos consolo para as despedidas, esperança para os dias difíceis e razões para continuar acreditando na vida, mesmo quando ela parece desistir da gente. 

    Por isso, tia amada, celebre o dom da vida! Mesmo diante das dificuldades que possam existir neste momento, permita-se celebrar de mãos dadas com a vida. Não porque ela seja sempre fácil, nem porque a saudade deixe de doer, mas porque ainda há muito amor ao seu redor e muitas razões para continuar escrevendo sua história, que é a história sonhada e escrita por Deus. 

    Há pessoas esperando pela senhora, tia. Esperando por um abraço, por um sorriso, por uma palavra, por um silêncio, por uma oração ou simplesmente por essa presença que transforma. E eu sei bem como sua presença é um bálsamo em meio a tantas dificuldades. Certamente, existam pessoas que talvez nem saibam explicar o bem que a senhora lhes faz, mas que reconhecem, em seu jeito de ser, algo da presença e do cuidado maternal e amoroso de Deus.

    Porque a senhora é assim: dessas pessoas que fazem da própria vida um testemunho da fé, que acolhem sem precisar de grandes discursos, que evangelizam com gestos simples e que deixam marcas bonitas na história de quem teve o privilégio de cruzar seu caminho. A senhora é daquelas presenças que nos recordam que o Reino de Deus também se manifesta na sua criação, no nosso cotidiano, no nosso cuidado e na capacidade de amar.

    E talvez seja justamente por isso que sua vida seja um presente tão precioso para nós que hoje a louvamos e honramos. Porque o valor de uma existência não se mede apenas pelos anos vividos, mas pelo amor que espalhamos através do nosso caminhar, pelas pessoas que tocamos inconscientemente e pelas sementes de bondade que espalhamos pelo caminho. E a senhora, tia Mara, tem uma história que testemunha tudo isso, e gratos somos a Deus. 

    Que Jesus renove suas forças, continue confortando seu coração e lhe conceda a graça de reencontrar nas pequenas coisas, a alegria de ser quem se é. 

Hoje, o dia é todo seu, mas o presente quem ganha somos nós: sua vida preciosa!
 
   Feliz aniversário, querida e amada tia Mara! Que este novo ciclo seja um tempo de cura, de reencontros e de esperança. Que Deus continue conduzindo seus passos e que, mesmo nos dias nublados, a senhora nunca se esqueça de que sua história continua sendo escrita pelas mãos daquele que é o Senhor da vida, daquele que tem o controle de tudo. 

Receba meu abraço carinhoso, minha admiração e minhas orações diárias. 

Feliz vida, tia Mara! Te amamos! 

Com carinho, 

Rafael Victor Ribeiro

quarta-feira, 21 de outubro de 2026

O DIÁLOGO ECUMÊNICO E INTER-RELIGIOSO HOJE: UM CHAMADO À UNIDADE


O DIÁLOGO ECUMÊNICO E INTER-RELIGIOSO HOJE: UM CHAMADO À UNIDADE.

A prática do diálogo ecumênico exige, em nossos dias, uma resignificação profunda. Não podemos mais conceber o diálogo cristão isoladamente, sem integrá-lo à dimensão inter-religiosa, pois a atitude de fé é, em sua essência, uma questão existencial que nos convida a formar a nossa interioridade, levando a um novo modo de pensar. Ser verdadeiramente ecumênico é ir além, é sentir o coração do outro com o próprio coração, é desejar a unidade não apenas como um ideal, mas como a manifestação plena da Igreja e da comunhão da graça.

O ecumenismo, portanto, nos inspira a um novo modo de pensar e de viver a fé. Ele nos impele a redimensionar o sentido do ser cristão e o ser Igreja em um mundo tão plural e diverso. Nesse sentido, considera-se o ser "anti-ecumênico" uma desobediência ao magistério eclesial da Igreja Católica, como bem definiu o Papa Francisco: "A cultura do encontro", modo de ser indispensável, parte de novas cristologias e novas hermenêuticas bíblicas. É a ideia de que devemos sair da nossa própria bolha e ir ao encontro do outro, reconhecendo sua dignidade e seu valor, mesmo que haja diferenças de pensamento e de religião. A cultura do encontro se manifesta por meio do diálogo sincero e da escuta ativa, da empatia e da solidariedade.

Unitatis Redintegratio propõe: "Guardando a unidade nas coisas necessárias, todos na Igreja, segundo o múnus dado a cada um, conservem a devida liberdade tanto nas várias formas de vida espiritual e de disciplina, como na diversidade de ritos litúrgicos e até mesmo na elaboração teológica da verdade revelada. Mas em tudo cultivem a caridade."

Este ensinamento nos convoca a uma incessante busca pela unidade, que é o desejo de Cristo para sua Igreja.

Assim, o diálogo ecumênico se torna uma ferramenta vital para a edificação da Igreja e a promoção do amor e da compreensão entre todos os povos, sejam eles cristãos ou não cristãos.

"Mas as iniciativas locais e individuais já não bastam. A situação atual do mundo exige uma ação de conjunto a partir de uma visão clara de todos os aspectos econômicos, sociais, culturais e espirituais. Conhecedora da humanidade, a Igreja, sem pretender de modo algum imiscuir-se na política dos Estados, tem apenas um fim em vista: continuar, sob o impulso do Espírito consolador, a obra própria de Cristo, vindo ao mundo para dar testemunho da verdade, para salvar, não para condenar, para servir, não para ser servido." [Papa Paulo VI, Populorum Progressio, n° 13].



Registros fotográficos do Encontro Nacional de Formação e Convivência Ecumênica da CNBB, nos dias 12, 13 e 14 de setembro, em Jundiaí-SP. 

sábado, 17 de outubro de 2026

HOJE SERIA ANIVERSÁRIO DELA


Hoje seria aniversário dela, minha amada vovó (avó paterna), de nome Laura, que era libriana nata, filha e neta de indígenas kaingangs, que perdeu os pais muito jovem, sendo criada e educada pelos irmãos mais velhos. Ela que, desde cedo, conheceu as ausências, as durezas da vida e a necessidade de aprender a caminhar com as próprias forças, sem jamais perder a essência de suas raízes.

Ela que era dona de uma personalidade forte e marcante, assim como eu sou: ou você ama ou odeia. Ela que não nasceu para caber nas expectativas dos outros, que não se curvava facilmente e que carregava na própria existência a força de tantas mulheres que vieram antes dela.

Hoje seria aniversário dela, que tinha um jeito bastante peculiar de viver sua fé, de quem herdei a luta, se assim posso dizer, da promoção do diálogo ecumênico e inter-religioso, pauta que defendo com convicção há anos. Ela que me ensinou, mesmo sem perceber, que o Sagrado não se aprisiona em templos religiosos, doutrinas ou instituições, e que a fé também se manifesta na liberdade de pensar, questionar e respeitar os diferentes caminhos que conduzem cada pessoa ao Divino.

Ela que desafiou a sociedade, o sistema político que viola corpos femininos, que fez da vida um ato político. Ela que, à sua maneira, resistiu às imposições de um mundo que tantas vezes tentou silenciar e oprimir mulheres, sobretudo aquelas que ousaram pensar, falar e viver por si mesmas.

Ela que era engraçada, bocuda e briguenta... Cada um tinha a faceta que merecia. Que sabia ser tempestade e calmaria, que não economizava palavras, tampouco escondia seus descontentamentos: Mulher de afetos profundos, ainda que nem sempre demonstrados da forma convencional. 

Ela que, na velhice e durante os anos de enfermidade, ainda falava de sonhos, de desejos, anseios e que viveu a vida aproveitando os excessos. Ela que era dona de uma voz forte, grave e potente, que mesmo que seu corpo já não acompanhava a inquietude da alma, continuava desejando a vida, como quem sabia que envelhecer não significava deixar de sonhar.

Ela que amava nos atos de serviço, que odiava abraços (assim como eu) e que foi a minha maior incentivadora. Que não precisava dizer constantemente que amava, porque seu amor estava nos gestos, nos cuidados, nas pequenas atitudes e naquela maneira tão particular de se fazer presente.

Hoje seria o dia dela, que detestava aniversários, presentes e datas comemorativas, que dizia que Natal era todo dia, que odiava o espírito natalino das pessoas que o ano inteiro foram ausentes. Ela que compreendia que o amor não deveria obedecer ao calendário, que a solidariedade não deveria ser uma encenação de dezembro e que a presença verdadeira vale muito mais do que qualquer presente.

Ela que não era hipócrita, não usava máscaras e vivia à sua maneira com honestidade. Ela que não fazia da própria vida um espetáculo para agradar aos outros, que preferia a sinceridade, mesmo quando inconveniente, à falsidade disfarçada de boas intenções.

Ela que tanto me "temperou" com suas "ervas mágicas" enquanto criança, que me esperava todas as sextas-feiras da janela de sua casa, na Rua João Batista de Azevedo, onde residiu por mais de 40 anos. E talvez seja essa uma das imagens mais bonitas e eternas que guardo da minha infância aos meus 27 anos: a certeza de que, ao chegar naquela casinha simples, encontraria alguém à minha espera. Porque existem janelas que se fecham com o tempo, mas permanecem abertas para sempre na nossa memória.

Ela que adorava fotografia, filmes e novelas, que amava Curitiba e Aparecida. Que guardava cartas, bilhetes, e objetos antigos. Que entre retratos, lembranças, viagens e histórias, foi construindo um universo próprio, feito de afetos, de resistência, de fé e de saudades e experiências que hoje também fazem parte da minha história.

Hoje seria o dia dela, que me ensinou a valorizar a memória e a ancestralidade, e a ter respeito pela natureza, pelo Sagrado e pelas coisas ou seres invisíveis dos quais não se tem conhecimento. Que me ensinou que nem tudo aquilo que existe pode ser visto, que nem todo mistério precisa ser explicado e que há uma sabedoria ancestral que atravessa gerações, sobrevivendo nas histórias, nas crenças, nas ervas, nos gestos simbólicos e nos silêncios.

Ela que, sem escrever livros ou formular teorias, deixou ensinamentos que nenhuma universidade seria capaz de me oferecer. Porque há conhecimentos que não encontramos nos livros, mas nas experiências daqueles que nos precederam. 

Ela que levo comigo na memória e no coração, na certeza de que, quando meu dia chegar, quero poder reencontrá-la novamente. Talvez para ouvir mais uma de suas histórias, para rir de suas implicâncias, para recordar nossas conversas ou simplesmente para contemplar sua presença, sem a pressa que tantas vezes nos rouba a oportunidade de perceber a beleza dos encontros.

Hoje o dia seria todo dela, que continua presente naquilo que sou, nas minhas convicções, nas minhas inquietações, na minha espiritualidade e na maneira como compreendo a vida. Porque a ancestralidade não é apenas aquilo que ficou no passado, mas também aquilo que permanece vivo. 

Ela que me ensinou, sobretudo, que viver é um ato de coragem, que amar nem sempre significa abraçar, que a fé não precisa ser uniforme e que a liberdade de ser quem somos talvez seja uma das maiores expressões da dignidade humana.

Hoje seria aniversário dela...

Que partiu, mas não deixou de existir nas minhas lembranças. Cuja voz o tempo não conseguiu silenciar, e que continua habitando as fotografias, as histórias, os lugares, os afetos e os pequenos detalhes da vida que continua.

Hoje seria aniversário dela, que embora detestasse aniversários, permito-me hoje celebrá-la. Não pela data, mas pela vida que um dia neste plano existiu, e que continua florindo diante do impossível. Por tudo aquilo que sua presença significou e continua significando para mim.

Hoje seria aniversário dela...

E aqui, na terra, a saudade continua sendo uma das formas mais bonitas de amar mesmo que na ausência. 

Vovó Laura, PRESENTE!



terça-feira, 13 de outubro de 2026

UM IRMÃO QUE A VIDA ME DEU


UM IRMÃO QUE A VIDA ME DEU
POR: RAFAEL VICTOR RIBEIRO

Um dia, a vida me presenteou
com um irmão.

Entre dois mundos,
culturas um pouco distantes
e idades diferentes,
nosso encontro nasceu
do mais profundo da alma,
bem perto do coração.

Ele veio de uma linhagem bastante antiga,
entre brasões, sobrenomes
e memórias de uma longínqua Itália;
eu vim do trabalho de mãos camponesas portuguesas,
de raízes ancestrais indígenas dos Kaingangs,
do suor e da dor dos escravizados,
de histórias e memórias
que não se foi capaz de registrar.

Ele, carioca da gema, criado e educado
na Zona Sul do Rio de Janeiro;
eu, cria do interior de São Paulo,
criado entre as ruas de terra do bairro São Roque
e a pracinha da Rua Getúlio Vargas.

Ele herdou a persuasão, a mansidão
e a arte da diplomacia;
eu herdei a resistência e a persistência
de quem faz da própria vida
um gesto político de sobrevivência.

Ele, apesar de uma vida agitada
no Rio de Janeiro,
escolheu a simplicidade, o silêncio
e o despojamento dos excessos;
eu nasci no caos e na incompreensão de quem sou,
mas fiz do requinte
minha identidade e sofisticação.

Ele é repertoriado, entende de leis,
de esportes e de saúde,
de tudo o que envolve
um corpo em movimento.

Eu entendo de cores,
de sons, de formas e texturas, de textos e,
tudo aquilo que atravessa
o território invisível das remanescências das nossas emoções.

Ele tem uma inteligência
que surpreende;
eu tenho o esforço
que persiste.

Ele inventa,
eu reinvento;
e, entre uma ideia e outra,
nossa criatividade floresce
onde parece não existir nada.

Ele é magro.
Eu sou fordo — concepção etimológica da palavra que significa forte com gordo.

Ele anda de lambreta motorizada;
eu tenho a arte e a façanha
de me descolar entre uma carona e outra. 

Ele é carinho,
humanidade e acolhimento;
eu sou o deboche,
a incompreensão
e o caos disfarçado
de sofisticação equilibrada.

Ele observa
e faz suas leituras em silêncio;
eu expresso demais,
transbordo nas emoções e nas palavras
e, às vezes,
nem percebo o que revelo.

Cada qual com seu jeitinho único
de existir,
a vida tem um senso de humor
bastante peculiar
quando resolve unir
dois irmãos de mundos tão diferentes.

Conhecemo-nos no serviço,
entre tarefas e obrigações,
deslocamentos, compromissos
e horários a cumprir.

Entre encontros, risos
e despedidas,
tornamo-nos confidentes,
companheiros de luta, com sonhos e projetos em mente,
com a mesma fé comum por: justiça social.

Nós dois somos guardiões de segredos,
cúmplices do riso
que torna a vida mais leve,
dois amigos-irmãos que, sem perceber,
transformaram dias comuns
em histórias para guardar,
diante da finitude
que se apresenta aos nossos olhos.

Quando um falta no serviço,
o outro não fica incompleto, porque cada um é parte de si mesmo;
mas o riso não surge com a mesma facilidade,
e o olhar sente a ausência
na paisagem do dia.

Quando a vida pesa
e o mundo parece estreito,
sem passagem, sem saída,
ele aparece com seu jeito
brincalhão e despojado de si.

Arranca-me um riso improvável
e, com afeto,
devolve-me à roda da vida e,
eu caio na dança.

Capone herdou
a maior de todas as riquezas:
a nobreza da alma,
a mão que ampara,
o coração que acolhe
e a presença
que não se mede.

Ribeiro, por sua vez, herdou a arte do encontro,
que talvez seja próprio
de seu requinte e sofisticação
reconhecer, nas coisas mais simples
da existência humana,
os tesouros generosos
que a vida oferece.

Diferentes na origem,
no corpo, no jeito de ser
e na estrada da vida;
porém, quando o assunto é irmandade,
não existe linhagem
que pese mais que o afeto.

Dois sujeitos,
um universo,
duas histórias
e uma amizade.

É a sabedoria da vida
que, sem pedir licença,
decidiu entrelaçá-las, provando que encontros acontecem 
e, quando a gente menos espera, nasce um amigo, nasce um irmão.

Ele, um presente Divino 
colocado no meu caminho.
Eu, talvez, um presente
que a vida lhe quis dar para ensinar o que é paciência.

Na nossa liberdade, somos irmãos
sem precisarmos compartilhar
o mesmo sangue ancestral, 
sem precisar conversar todos os dias, 
que cada qual honra à sua maneira de ser.

A família também acontece assim:
sem vínculo de sangue e, principalmente,
sem obrigação ou exigências.

Confesso que a vida é bastante generosa,
já me deu outros "Andrés" com a mesma intensidade,
irmãos que não nasceram
do mesmo ventre,
mas que o afeto escolheu
para caminhar comigo.

No entanto, cada um é único
e ocupa seu lugar no mundo,
com endereços impressos na alma.

Capone é piadista por natureza, ri de tudo e de todos;
Ribeiro, um debochado, nobre sonhador e causador
de coisas boas, claro. 

No vai e vem da vida,
permanece uma certeza:
no mais profundo do coração,
nasce um irmão a quem carinhosamente,
chamamos de amigo.

sexta-feira, 2 de outubro de 2026

MEU VOTO É SECRETO, MAS...


Meu voto é secreto, mas me formei pelo ProUni.

Meu voto é secreto, mas defendo a pesquisa científica.

Meu voto é secreto, mas sou a favor das pessoas serem livres pra amar quem elas quiserem.

Meu voto é secreto, mas defendo as Artes, a Cultura e o Patrimônio histórico e artístico. 

Meu voto é secreto, mas defendo a preservação do meio ambiente e os cuidados com a Mãe Terra.

Meu voto é secreto, mas defendo moradia digna para todas as pessoas.

Meu voto é secreto, mas defendo programas sociais.

Meu voto é secreto, mas defendo que todo brasileiro faça de três a quatro refeições ao dia. 

Meu voto é secreto, mas defendo a escola pública. 

Meu voto é secreto, mas sou professor e tenho consciência de classe.

Meu voto é secreto, mas defendo o SUS. 

Meu voto é secreto, mas defendo a soberania do Brasil e da América Latina. 

Meu voto é secreto, mas defendo as minas, as manas e as monas.

Meu voto é secreto, mas defendo os povos originários e as comunidades quilombolas. 

Meu voto é secreto, mas defendo que Deus esteja dentro de cada religião:

Amém pra quem é de amém, axé pra quem é de axé, e boa sorte pra quem não é nada. 

Meu voto é secreto, mas eu sei de onde eu vim! 

segunda-feira, 28 de setembro de 2026

A GRAÇA DE ENVELHECER — REFLEXÕES DE MAIS UM ANIVERSÁRIO


A Graça de Envelhecer
Por: Rafael Victor Ribeiro 

Viver é um dom gratuito de Deus, principalmente quando se vive com intensidade e com qualidade de vida, aproveitando tudo aquilo que ela tem de bom a oferecer. 
Considero-me um "sujeito de sorte", bem como definiu o poeta brasileiro Belchior em sua música, pois nasci e cresci nesta terra — lugar das goiabeiras e de Nossa Senhora da Piedade — que, popularmente, também é afeiçoada por esta gente como "terra das palmeiras imperiais" (Lorena). Mas é certo também dizer que cresci entre a serra de Piquete e o bosque de Cruzeiro, que acreditava ser encantado, o que me fez naturalmente, crescer com uma imaginação fértil. 

Recebi boa educação, extremamente rigorosa em que o estudo era parte essencial na nossa criação. Não tínhamos luxo, éramos crianças simples, tínhamos o básico para viver sem excessos, de modo que pudéssemos aprender a valorizar o pouco e com sabedoria. Sou o primeiro neto por parte da família materna e o quinto neto por parte da família paterna. E isso me deu certas vantagens, das quais não pretendo entrar em detalhes. rsrs

Mamãe era exigente e perfeccionista com os meus estudos e, principalmente, no cuidado da casa. Nossa diversão eram os desenhos e programas da TV Cultura, que aguçaram minha sensibilidade artística. Aos domingos, frequentávamos a Igreja, e eu cantava no coralitoh; à tarde, passeávamos na praça; eu adorava tomar o sorvete que o vovô comprava da tradicional "Sorveteria Dallas". Vez ou outra, nosso destino eram os passeios na feira da barganha, e ainda posso me lembrar da minha avó (Laura) negociando suas bugigangas. 

Nas raras exceções: se merecesse, papai nos levava, eu e meu irmão, para um passeio de charrete com pônei na praça Arnolfo de Azevedo. Papai sempre foi bem rígido e sistemático com tudo, e nos corrigia sempre com o que tivesse em mãos, se fosse necessário. Seu lema era: Organizar e disciplinar! O fato é: ninguém apanhava a troco de nada, e eu sempre fui bem afrontoso e desafiador, importante ressaltar. Não é à toa que meu apelido, entre a "boca miúda" da prefeitura, é "Rafael, o causador!". Sem dúvidas, assumo esse título não como alguém que naturalmente arranja confusão a troco de qualquer coisa, mas como alguém que não aceita qualquer coisa, que é crítico, irreverente e meio sem filtro pra gente sem noção. Gosto de pensar que eu não tenho paciência pra quem tá começando, como bem gosta de dizer a atriz Susana Vieira. É aquele ditado: "Fala o que não quer, escuta o que não quer." Sou daqueles que mando de volta o constrangimento sem dó nem piedade. Mas é preciso dizer que nem sempre fui assim; durante muitos anos, engolia a seco. Em casa era fácil ser irreverente, afrontoso e desafiador; na rua era difícil. Por vezes, sofria calado, e anos de terapia ainda não resolveram meus problemas 100%, mas seguimos nos tratando. Com o tempo, a gente vai aprendendo a se impor e se fazer ser respeitado e temido por onde passa. 

De certo modo, sempre fui muito privilegiado. Estudei música e teatro durante a infância e adolescência. Tive excelentes professores e, naturalmente, tenho bons amigos. A escrita sempre foi um dos meus grandes hobbies, e o papai ainda deve guardar algumas de minhas produções autorais da época da 3ª série do Ensino Fundamental. Naquele tempo, eu tinha tantos sonhos, tantos projetos... Alguns se cumpriram, outros desapareceram, e há aqueles que ainda estou a descobrir.

Nosso destino nas férias dos anos 90 era Ubatuba, cidade que, após a morte do vovô Pedro, em 2008, ficou difícil frequentar. E, recentemente, após muitos anos, visitei Ubatuba e, confesso, não me senti bem. Daí me lembrei de um poeta que disse que, se fomos felizes em um determinado lugar, era para nunca mais voltar àquele lugar, justamente para preservar todo sentimento bom que um dia existiu ali.

Meus pais me instruíram na fé protestante, da qual eu recebi toda a minha base teológica e histórica através da influência de minha avó materna, Leonídia, pela Igreja Metodista, já que meus pais passearam por algumas denominações até descobrirem um lado espiritual independente de religiões. A vivência ecumênica sempre foi prerrogativa principal na minha vida, até porque os desafios da unidade cristã sempre estiveram presentes no seio da minha origem familiar, que, religiosamente falando, era bem diversa: Protestantes Tradicionais, Protestantes Pentecostais, Católicos, Espíritas, Umbandistas, ateus, espiritualistas entre outros crenças. E, assim, como Irmão Roger, da Comunidade de Taizé, vivi minha vida toda "cruzando certas barreiras confessionais", o que ele também gostava de chamar de processo de "enriquecimento gradual da fé", ou seja, o ministério da unidade encarnada. Em 2024, me desliguei da Igreja Metodista e, desde então, em determinado momento do mesmo ano, fui acolhido na Igreja Católica, onde tenho procurado viver sob um outro ponto de vista, além de me nutrir do sacramento da Sagrada Eucaristia e da confissão mensal. Isso não quer dizer que joguei no "lixo" tudo o que aprendi das minhas raízes protestantes metodistas, até porque as familiaridades com o catolicismo são muitas, e um querido pastor protestante metodista, amigo de longa caminhada cristã ecumênica, certa vez me disse que a Igreja Metodista é filha da Igreja da Inglaterra, irmã das Igrejas protestantes da Suiça e da Alemanha e, naturalmente, neta da Igreja de Roma. Ou seja, isso tudo é pra dizer que ainda levo comigo muitos ensinamentos que me moldaram enquanto ser humano, um deles, ao qual não abri mão: o ecumenismo e a ação social: "Ora et labora" (Reza e trabalha). Com relação ao tema da Unidade dos Cristãos, a Igreja Metodista é pioneira nessa discussão, e a Igreja Católica, somente após o Concílio do Vaticano II, estabeleceu aproximação com outras ramificações do cristianismo, tornando notavelmente uma Igreja Ecumênica. 

O Credo Social da Igreja Metodista no Brasil estabelece:

"A Igreja Metodista participa dos propósitos de unidade cristã e serviço mundial, do CMI (Conselho Mundial de Igrejas), do Ciemal (Conselho de Igrejas Evangélicas Metodistas da América Latina e Caribe), do Clai (Conselho Latino-Americano de Igrejas) e do Conic (Conselho Nacional de Igrejas Cristãs); Cremos que a comunidade cristã universal é serva do Senhor, sua missão nasce sempre dentro da missão do seu único Senhor."

IGREJA METODISTA, 2018, p. 50, cap. III, seção II, item 1.

Hoje, no entanto, sigo em outro ritmo, por um caminho distinto, sob outra ótica, o que me faz crer que sou bem privilegiado diante de tantas experiências que moldaram minhas experiências de fé. 

Os anos passam, pessoas vêm e vão. Algumas encerram sua trajetória para esta vida, outras simplesmente seguem um caminhar diferente do nosso, ou por opção, ou por distanciamento, ou qualquer que seja a questão em si. Mas a nossa história não deixa de ser contada, e ninguém aparece e desaparece do nada; cada qual cumpre exatamente o tempo que deveria cumprir em nossa jornada de peregrinação nesse mundão de meu Deus.

Confesso que ainda não me acostumei a estar na casa dos 30+, caminhando para os 40, mas envelhecer é de qualquer forma um dom gratuito de Deus: viver com saúde, ter um bom emprego, claro, apesar das falhas de um sistema de educação falido e, principalmente, dos muitos conflitos existentes na esfera pública, tenho a graça de formar seres pensantes, como dizia Paulo Freire, e é nesse coletivo de cidadãos críticos, criativos e atuantes em sociedade que volto meu olhar para a esperança que não decepciona. Novamente, percebo que, em toda a minha trajetória, tenho cumprido o leva de vida a mim destinado: "Lord, don't let me live in vain", oração do clérigo anglicano John Wesley, que diz: "Senhor, não me permita ter uma vida em vão!"

Desse modo, concluo que minha trajetória é louvável e foi unicamente sonhada e está sob os cuidados e a misericórdia do Deus Altíssimo, ou seja, dom precioso dEle. Claro que nem tudo são flores; as pedras e os vendavais tempestuosos sempre vêm e vão; de certo modo, eles também são movimento, é a vida seguindo seu curso natural e exigindo passagem. Mas, uma vez que depositamos nossa confiança em Cristo, sob o cuidado maternal de Maria Santíssima, da qual fomos gerados espiritualmente, uma vez que guardamos os mandamentos de Deus e de sua semente fomos gerados como seus remanescentes, tudo vai bem. É nos momentos de caos que a gente chega à conclusão de que os turbilhões muitas vezes vêm até nós para que possamos reconfigurar a rota ou simplesmente crescer e evoluir em algumas áreas que Deus sonha para cada um.

Nos últimos dias, descobri alguns dons que nasceram do silêncio e do claustro. Confesso que nunca imaginei que seria possível, e ainda estou me familiarizando com esse novo despertar, que é uma novidade que ainda me assusta. Pode ser que seja passageiro, pode ser que não, e aquilo que nasce no coração do homem é dom precioso de Deus. De uma coisa tenho certeza: em tudo, em todos os meus passos, em todas as minhas escolhas e em quaisquer que sejam os meus devaneios humanos, a presença de Deus sempre está comigo. Desse modo, todas as minhas faltas são supridas conforme Deus acha necessário, e, apesar dos meus excessos de vaidade, que não se pode negar enquanto "libriano" do primeiro decanato (rsrs), sou um homem simples, que sempre foge dos holofotes.

Eu nasci em 27 de setembro, numa quinta-feira, às 06h55min da manhã. E o dia 27, para mim, se tornou especial porque é também o dia em que a Igreja recorda a memória de São Vicente de Paulo, um santo francês, de origem humilde, que abdicou da vida para ajudar os necessitados, pessoas que viviam nos vilarejos rurais e que provavelmente não tinham perspectiva de vida. E acredito que é por isso que tenho forte essa ligação com a natureza e com grande parte de atividades de natureza social. Esse é um legado que carrego comigo, uma força presente diante da história de tantos homens e mulheres fortes, que cresci vendo se doarem aos necessitados.

Envelhecer, portanto, não é apenas contar os anos que se passaram, mas reconhecer tudo aquilo que somos e tudo aquilo que Deus nos permitiu viver, aprender, perder, construir, reconstruir e transformar-se ao longo do caminho mediante a graça Divina. A idade carrega consigo o peso de uma história e, em cada lembrança, a marca de uma vida em plenitude. Cada encontro deixa alguma coisa de nós e leva consigo algo que já não faz mais sentido.

Aos 36 anos, olho para o passado com gratidão e para frente com esperança e fé no que há de vir. Ainda há muito a aprender, muito a sonhar, muito a desejar e muito a percorrer. Ainda há de encontrar pessoas, ainda há de realizar sonhos, adquirir experiências e viver. Se a vida é um dom gratuito de Deus, envelhecer também é graça perene: é a graça de continuar caminhando, aprendendo, servindo e descobrindo, pouco a pouco, o que Deus ainda sonha realizar em nós.

E assim, pela estrada da vida, caminhando e cantando, vou vivendo minha vida, minha música, minha arte e, principalmente, minha fé, além de tantos outros caminhos que a vida ainda haverá de revelar e que, certamente, reserva pra mim. Mesmo sem que saibamos onde cada estrada terminará, confiando que, onde houver vida, haverá também esperança e, a cada novo amanhecer, um motivo para sorrir e agradecer.

Gracias a la vida!