Abril, para mim, é um mês de travessias. Carrega o peso de encerramentos, mas também a coragem silenciosa dos novos recomeços. É um tempo em que a vida parece apertar o coração para lembrar que nada permanece igual — e talvez seja justamente aí que mora o sentido de tudo.
Foi em abril que vivi uma das minhas mais dolorosas perdas: a partida da minha amada avó paterna, Laura. E, como se a vida insistisse em equilibrar ausências com movimentos, também foi no mês de abril que iniciei meu primeiro emprego, há exatos quinze anos. Neste abril, entre despedidas e recomeços, fui sendo atravessado por memórias, revisitando meu passado e reencontrando histórias guardadas no coração — algumas doloridas, mas que hoje me ajudam a compreender o sentido das coisas.
Abril também já me apresentou pessoas especiais, ao mesmo tempo em que me revelou verdades difíceis — verdades que não foram sustentadas por quem não fez questão de ficar. Tirei algumas pessoas da minha vida e agreguei outras, reconheci e enfrentei turbulências, especialmente no campo profissional. Não foi leve, e acredito que nem precisava ser. Por isso, tenho me permitido sentir o cansaço, acolher o desgaste, porque, antes do Rafael educador/multiartista, existe o Rafael humano, com sonhos, desejos, falhas e frustrações. Em abril, tive coragem de olhar para dentro de mim. Visitei minha criança interior, tão marcada por algumas pressões e inseguranças. Não foi um encontro fácil, e não tem sido fácil, mas foi — e está sendo — necessário me reconhecer nessas outras vertentes que desconhecia. Abril me ensina que não é preciso ser forte o tempo todo. Que chorar, se frustrar e até se desesperar não são sinais de fraqueza são partes legítimas de quem eu sou. E que também é preciso se abraçar quando necessário.
Quatro meses de um ano que ainda nem chegou à metade, e já carrega tantas histórias, lutas, livramentos, perdas, amores e novos desafios. A vida, esse jogo imprevisível e imediato, nos testa a todo instante, e a sorte nos é lançada. No fim de tudo, o que a gente espera é simples: que as coisas encontrem seu lugar, que a paz reine, depois de tanta tempestade, e que o amor encontre seu lugar, que é dentro da gente.