terça-feira, 23 de dezembro de 2025

NATAL: POLÍTICA DE CONSUMO OU MÍSTICA DA ESPIRITUALIDADE?

Dizem que o Natal perdeu seu significado, dando lugar ao consumismo exacerbado e à figura emblemática do Papai Noel. O Natal proporciona novos empregos, ainda que temporários, mas que para muitas pessoas serão suficientes para suprir as necessidades de quem vive à margem invisível da indiferença humana, podendo torná-los, assim, mais dignos, confiantes e, sobreamente, "humanos".

É tradição no Brasil e em diversas partes do mundo que as famílias se reúnam para decorar as casas com muitas luzes ou encher a árvore de Natal com presentes caros, onde, no dia 24, as crianças trocarão seus presentes. Cânticos natalinos serão entoados ao acender das velas que remetem à espiritualidade natalina, ou seja, à encarnação do Verbo, Jesus. Na véspera de Natal, há quem não descanse um minuto sequer, preparando os deliciosos pratos que serão servidos na tradicional ceia, tudo para aqueles que amamos, ou que pelo menos acreditamos amar. Todos unidos em volta de uma grande mesa para celebrar o nascimento do Menino Deus, de origem pobre e humilde, envolto em panos simples e depositado em um coxo onde comiam os animais. Tal menino que se fez pequeno e frágil para caber em nosso mundo, a fim de que um dia se entregasse por nós em um madeiro dolorido, sendo perseguido e morto pelo Estado. Um Deus que nunca julgava, acolhia. Um Deus que se tornou Cordeiro Sacrificial, obediente ao Pai, e que sobre si levou todas as nossas dores e enfermidades. Um Deus que busca habitar no mais profundo íntimo humano, bem longe dessa Igreja hegemônica do século XXI que tanto tem envergonhado o nome de Cristo.

Também existem aqueles que celebram o Natal de maneira diferente, seja por professarem outro credo, seja porque preferiram viver uma vida sem a influência de uma religião imposta por homens, mas que, independentemente disso, nessa época do ano se unem em um único laço de amizade. Mas o fato é o seguinte: todos, nessa época, estão "unidos" para renovar os votos de bondade, amor, paz, espiritualidade que costumam aparecer somente em datas festivas como as do mês de dezembro. É até bonito sentir os corações alegres transmitindo o Espírito Natalino. Mas, infelizmente, essa não é a realidade do ano inteiro. Preferimos trocar o amor pela indiferença, a partilha pelo consumo, e a unidade pelo vazio existencial e por todos os tipos de excessos.

Que neste Natal vivamos com verdade e na verdade, que nossa existência neste plano tenha sentido, e ao celebrarmos o Grande Mistério, possamos partilhar um pouco da graça que nos foi entregue por meio do Salvador do mundo. E vivamos Cristo, reconhecendo sua humildade no presépio, dando pão a quem tem fome e água a quem tem sede, respeitando cada um em sua individualidade, sem distinção de credo, orientação sexual, gênero, raça ou condição social. Peçamos a graça para que o Senhor dilate nosso coração a fim de que possamos receber um Deus grande que se faz pequeno para caber dentro de nós. 

Feliz e Santo Natal!

Por Rafael Rosa  
Escrito em 23 de dezembro de 2019.

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