"Abre a mão ao aflito; e ainda a estende ao necessitado."
Provérbios 31:20
Esmeraldina Ribeiro Alves nasceu em 17 de dezembro de 1917, em Virgínia, Minas Gerais, e faleceu em 29 de julho de 1995, em Lorena, São Paulo. Sua vida foi marcada por profundas dores, mas, sobretudo, por uma fé inabalável, pelo serviço ao próximo e por uma extraordinária capacidade de transformar o sofrimento em amor. Ainda jovem, por volta de 1929, juntamente com sua família, converteu-se ao protestantismo, passando a integrar a Igreja Metodista, comunidade à qual permaneceu fiel até o fim de seus dias. Sua fé não era apenas professada, mas vivida diariamente por meio de atitudes silenciosas e generosas. Era uma mulher de poucas palavras e sem instrução formal, aprendeu a ler e a escrever durante a velhice; possuía uma sabedoria que a vida lhe ensinou. Enfrentou perdas que poucas pessoas conseguiriam suportar. Ao longo da maternidade, viu cinco de seus filhos falecerem ainda pequenos, depois de viverem apenas alguns meses. Mais tarde, sofreu o abandono do marido que sofria esquizofrenia e precisou aprender a enfrentar o preconceito imposto às mulheres desquitadas em uma sociedade marcada por rígidos julgamentos. Mesmo diante de tantas adversidades, criou com dignidade e amor seus quatro filhos sobreviventes: Eliel, Leonídia, Leontina e Maurisa. Com o trabalho humilde de lavadeira, sustentou a família e garantiu que seus filhos tivessem condições de seguir em frente. Sua dedicação à Igreja Metodista foi uma das marcas mais profundas de sua existência. Em Piquete e, posteriormente, em Lorena, serviu durante muitos anos na Ação Social e no ministério de Visitação, levando conforto aos enfermos, visitando orfanatos, asilos e idosos acamados da Igreja. Para ela, servir era uma forma de testemunhar o Evangelho de Jesus. Dotada de grande habilidade manual, dominava com impressionante talento as técnicas de crochê, tricô, bordado e corte e costura. Seus trabalhos não eram apenas fonte de renda, mas também expressão de carinho e instrumento de solidariedade, frequentemente destinados às ações beneficentes da Igreja. Nos últimos anos de vida, enfrentou o câncer por duas vezes. Na primeira, os médicos lhe deram apenas seis meses de vida, porém, viveu mais oito anos. Na segunda vez, a ocorrência foi mais agressiva e acabou por levá-la. Mesmo convivendo com intensas dores, raramente reclamava. Quase nunca falava sobre os sofrimentos do passado. Costumava dizer que o sofrimento de Cristo na cruz era infinitamente maior do que qualquer dor que ela pudesse sentir e, por isso, oferecia suas próprias aflições a Deus como forma de sacrifício de louvor. Em um dos gestos mais simbólicos de sua vida, deixou preparados, antes de falecer, seus últimos trabalhos de artesanato destinados à Ação Social da Igreja Metodista, bem como separado o valor de seu fiel dízimo. Até seus últimos dias, permaneceu servindo a Deus e ao próximo, demonstrando que sua fé não dependia das circunstâncias, mas era o alicerce sobre o qual edificou toda a sua existência. A história de Esmeraldina Ribeiro Alves é a história de uma mulher simples, cuja grandeza jamais esteve nos títulos ou nos bens materiais, mas na coragem de enfrentar as perdas, na força para recomeçar do zero, na dedicação aos filhos, no serviço aos necessitados e na confiança inabalável em Deus. Seu legado permanece vivo na memória de sua família e de sua Igreja, além de todos aqueles que tiveram o privilégio de conhecer sua humildade, sua generosidade e fé. Graças e Louvores sejam dadas a Jesus pela vida de D. Esmeraldina Ribeiro Alves.
Autoria: Rafael Victor Ribeiro [bisneto de dona Esmeraldina].