quarta-feira, 29 de julho de 2026

ANCESTRAIS - BISAVÓ ESMERALDINA RIBEIRO ALVES

 

"Abre a mão ao aflito; e ainda a estende ao necessitado."

 Provérbios 31:20 

Esmeraldina Ribeiro Alves nasceu em 17 de dezembro de 1917, em Virgínia, Minas Gerais, e faleceu em 29 de julho de 1995, em Lorena, São Paulo. Sua vida foi marcada por profundas dores, mas, sobretudo, por uma fé inabalável, pelo serviço ao próximo e por uma extraordinária capacidade de transformar o sofrimento em amor. Ainda jovem, por volta de 1929, juntamente com sua família, converteu-se ao protestantismo, passando a integrar a Igreja Metodista, comunidade à qual permaneceu fiel até o fim de seus dias. Sua fé não era apenas professada, mas vivida diariamente por meio de atitudes silenciosas e generosas. Era uma mulher de poucas palavras e sem instrução formal, aprendeu a ler e a escrever durante a velhice; possuía uma sabedoria que a vida lhe ensinou. Enfrentou perdas que poucas pessoas conseguiriam suportar. Ao longo da maternidade, viu cinco de seus filhos falecerem ainda pequenos, depois de viverem apenas alguns meses. Mais tarde, sofreu o abandono do marido que sofria esquizofrenia e precisou aprender a enfrentar o preconceito imposto às mulheres desquitadas em uma sociedade marcada por rígidos julgamentos. Mesmo diante de tantas adversidades, criou com dignidade e amor seus quatro filhos sobreviventes: Eliel, Leonídia, Leontina e Maurisa. Com o trabalho humilde de lavadeira, sustentou a família e garantiu que seus filhos tivessem condições de seguir em frente. Sua dedicação à Igreja Metodista foi uma das marcas mais profundas de sua existência. Em Piquete e, posteriormente, em Lorena, serviu durante muitos anos na Ação Social e no ministério de Visitação, levando conforto aos enfermos, visitando orfanatos, asilos e idosos acamados da Igreja. Para ela, servir era uma forma de testemunhar o Evangelho de Jesus. Dotada de grande habilidade manual, dominava com impressionante talento as técnicas de crochê, tricô, bordado e corte e costura. Seus trabalhos não eram apenas fonte de renda, mas também expressão de carinho e instrumento de solidariedade, frequentemente destinados às ações beneficentes da Igreja. Nos últimos anos de vida, enfrentou o câncer por duas vezes. Na primeira, os médicos lhe deram apenas seis meses de vida, porém, viveu mais oito anos. Na segunda vez, a ocorrência foi mais agressiva e acabou por levá-la. Mesmo convivendo com intensas dores, raramente reclamava. Quase nunca falava sobre os sofrimentos do passado. Costumava dizer que o sofrimento de Cristo na cruz era infinitamente maior do que qualquer dor que ela pudesse sentir e, por isso, oferecia suas próprias aflições a Deus como forma de sacrifício de louvor. Em um dos gestos mais simbólicos de sua vida, deixou preparados, antes de falecer, seus últimos trabalhos de artesanato destinados à Ação Social da Igreja Metodista, bem como separado o valor de seu fiel dízimo. Até seus últimos dias, permaneceu servindo a Deus e ao próximo, demonstrando que sua fé não dependia das circunstâncias, mas era o alicerce sobre o qual edificou toda a sua existência. A história de Esmeraldina Ribeiro Alves é a história de uma mulher simples, cuja grandeza jamais esteve nos títulos ou nos bens materiais, mas na coragem de enfrentar as perdas, na força para recomeçar do zero, na dedicação aos filhos, no serviço aos necessitados e na confiança inabalável em Deus. Seu legado permanece vivo na memória de sua família e de sua Igreja, além de todos aqueles que tiveram o privilégio de conhecer sua humildade, sua generosidade e fé. Graças e Louvores sejam dadas a Jesus pela vida de D. Esmeraldina Ribeiro Alves.

Autoria: Rafael Victor Ribeiro [bisneto de dona Esmeraldina].

terça-feira, 28 de julho de 2026

BENDITA SEJA, REGINA!

 

[Mamãe Sandra Regina Ribeiro em momentos diversos]

Bendito seja o teu ventre, que me gerou. Bendita seja a tua essência e a tua história, que me fizeram existir. Benditos sejam o teu cuidado, o teu colo e o teu amor de mãe: o amor mais puro e genuíno, que acolhe, abraça, às vezes sufoca, mas que aceita as nossas melhores e piores versões.

Bendita sejas tu, filha e neta zelosa, que carrega em teu íntimo a presença de tantas mulheres, das quais aprendi a honrar a nossa memória e a manter viva a nossa ancestralidade que pulsa.

Bendita seja a tua capacidade cognitiva para tantos temas e assuntos, a tua diplomacia e elegancia, a tua admirável organização sistemática e estética, além da habilidade de discordar e argumentar com inteligência qualquer que seja o assunto.

Bendita seja a tua essência feminina, o teu toque sutil para as artes, para a docência e para gerir com tanta sabedoria, um lar que abriga tantas histórias.

Bendita sejas tu e a tua música, que me inspirou ao longo da minha caminhada. Bendita sejas tu, mulher forte, sábia e corajosa. Mulher que se faz presente e presença, que se faz ser vista e admirada e que, nos bons e nos maus momentos, permanece ao nosso lado. 

Bendita seja a tua prece, que nos mantém de pé e a tua capacidade de não medir esforços para que teus filhos, que nasceram de tuas entranhas, tenham sempre o melhor de ti, talvez aquilo que nunca tivesses antes. 

Bendita sejas tu, que me ensinaste com o teu próprio exemplo o valor da honestidade, da ética, da fé, da perseverança e da paixão pela vida, preceitos da efêmera dignidade humana. 

Bendita sejas tu, mamãe, de nome Sandra Regina, de origem grega e latina, que significa: "Aquela que protege" e "Rainha". Bendita sejas tu por cada renúncia silenciosa, por cada lágrima escondida e por cada oração feita ao tempo.

Que a Divina Ruah te conceda todas as alegrias desta vida, renovando sempre a tua saúde, concedendo-te uma vida próspera, longa e repleta de paz ao lado dos seus, para que possamos continuar escrevendo juntos a história deste estranho e maravilhoso jogo chamado vida.

Parabéns, mamãe. Nós te amamos e damos graças pela sua preciosa existência.

 


terça-feira, 14 de julho de 2026

DOZE ANOS DE MAGISTÉRIO EM LORENA-SP [14 DE JULHO DE 2026]

 


Hoje completo 12 anos de pleno exercício efetivo como professor Arte-Educador na Rede Municipal de Ensino de Lorena, e só tenho a agradecer a Deus por tudo o que fez por mim.

Ao longo desses anos, vivi muitas alegrias e alguns dissabores. Por muitas vezes pensei em desistir; só não o fiz porque Deus não permitiu. Entre erros e acertos — afinal, faz parte da nossa humanidade errar — ajudei a construir sonhos e a dar esperança a alguns futuros incertos.

Tive muitas perdas ao longo dessa história, além de algumas perseguições. Aprendi a lidar com a falta dos recursos necessários para uma educação de qualidade, que sempre vive à mercê dessa politicagem suja, a qual, no discurso, diz que tudo é em prol das crianças, mas, na prática, a realidade é  outra.

Nessa profissão, conheci o melhor e o pior do ser humano e fiz-me respeitado tão somente por minha competência profissional, já que nunca precisei ser "lambe-botas" de ninguém para galgar posições elevadas na educação. Tudo o que conquistei foi fruto do meu mérito, do meu trabalho e claro, da graça de Deus.

Os anos passam, e minha prece continua sendo a mesma do clérigo anglicano John Wesley: "Lord, don't let me live in vain"  ("Senhor, não permitas que eu viva em vão!").

E assim vamos vivendo, aprendendo com os erros e os acertos. Se a vida por vezes azeda, ela também exige de nós a força necessária e a oportunidade de fazer diferente.

Ao Dono da minha vida, aos meus pais e avós, aos meus muitos alunos, aos colegas de profissão e aos amigos que caminharam comigo ao longo dessa jornada, minha eterna gratidão!