domingo, 29 de agosto de 2021

TECENDO A HISTÓRIA DO POVO METODISTA EM PIQUETE: DIÁLOGOS COM O PASSADO

 



Registro fotográfico da ambientação litúrgica que faz alusão ao capítulo 3 de Lamentações, versículos 21-24, que nos diz assim:

“Quero trazer à memória o que me pode dar esperança. As misericórdias do SENHOR são a causa de não sermos consumidos, porque as suas misericórdias não têm fim; renovam-se cada manhã. Grande é a tua fidelidade. A minha porção é o SENHOR, diz a minha alma; portanto, esperarei nele.”

Com o espírito de gratidão e louvor ao nosso Deus pelos 92 anos de Metodismo em Piquete, procuramos construir, com os irmãos e irmãs, uma narrativa histórica simbólica desses anos que se passaram; anos nos quais o Senhor sempre se mostrou presente e fiel na vida desta amada Igreja e de todos os seus filhos e filhas que por aqui passaram, e daqueles e daquelas que ainda resistem ao tempo ou que se chegam para somar e fazer parte desta linda história do que é ser Corpo de Cristo.

A palavra “tecer” vem do verbo entrelaçar, agregar, ajuntar metodicamente os fios — de forma a sobrepor um a um, conforme a imaginação e a criatividade do artesão.

Albert Einstein, importante físico alemão, dizia que: “A distinção entre o passado, o presente e o futuro é apenas uma ilusão teimosamente persistente.” O físico acreditava que o ser humano encontra-se imerso na ação do tempo.

Para ele, as ações cotidianas tendem a contribuir para um mesmo fim: o futuro — pautado nas experiências do passado, que aconteceram em um tempo presente, mas que agora se tornaram instâncias do tempo que passou.

O passado é aquilo que já não existe mais e, nesse sentido, é impossível tornar presente o que passou.

A importância do passado na dimensão do tempo presente para o ser humano nos induz a tratar o futuro sob o aspecto do que ainda não veio, mas que há de vir.

Aqui estão alguns dos fragmentos do passado, que um dia foram presentes, mas que hoje contam e recontam a história simbólica de um povo santo chamado Metodista de Piquete.

As fotos ajudam a relembrar aquilo que o tempo deixou registrado, de forma que não pudesse tornar-se efêmero (passageiro, transitório).

Os tijolos recordam o início das obras nessa Igreja e as muitas mãos que doaram esforços para a edificação desse importante templo protestante.

Os tijolos também trazem à nossa memória uma passagem bíblica do livro de Deuteronômio 32:4:

“Ele é a Rocha; suas obras são perfeitas, porque todos os seus caminhos são justos; Deus é fiel e sem iniquidade; justo e reto é o Senhor.”

Nossa fé deve estar firmada nessa Rocha, que é Cristo, nosso Senhor e Salvador.

As velas recordam a Trindade Santa presente em nosso meio e apontam para o Cristo, que é a luz do mundo e a suprema Divindade.

Ah, o que dizer dos feixes de trigo? Bem, estes fazem recordar as farturas do Reino. Quantas bênçãos colhemos ao longo dessa caminhada de vida espiritual e missão de amor, paz e justiça.

Como nem tudo são flores, como diria o ditado popular, ao longo desses percalços cotidianos da vida, como Igreja, enfrentamos alguns dissabores...

Por vezes, experimentamos o sabor das ervas amargas, que nos trouxeram ensinamentos e que hoje, através de uma nova perspectiva, podemos enxergar melhor e com mais maturidade aquilo que antes não era visto nem aproveitado.

São 92 anos de história, 92 anos transmitindo a mensagem do amor de Deus, nunca deixando de proclamar o Evangelho de Jesus Cristo.

Houve um tempo em que o alto-falante era a marca registrada da Igreja Metodista nesta cidade. Há quem diga que cresceu ouvindo os hinos aos domingos de manhã, antes da Escola Dominical.

Hoje, o alto-falante é só recordação, mas, ainda assim, é possível ouvi-lo ecoar na memória e no coração...

“Oh! Que lindo jardim,

O jardim de oração,

Onde as flores são graça e poder;

Onde Cristo, o Senhor,

Abre as portas do amor,

Eu me sinto feliz em viver!”

E, assim, continuamos resistindo ao tempo, até a vinda daquele que prometeu nos buscar um dia... Cá estaremos, proclamando o amor de Jesus, tecendo histórias através dos fragmentos da nossa ancestralidade presente, pois está em nossas mãos dar continuidade a esta Missão.

Até aqui, o Senhor nos ajudou; até aqui, o Senhor nos sustentou!

Autoria do texto: Rafael Victor Ribeiro.
[Publicado na Página da Igreja Metodista em Piquete em 29 de agosto de 2021]