Mês primaveril, mês de saudades!
Por: Rafael Victor Ribeiro
Os anos passam,
e a saudade é a mesma.
No mês primaveril,
recordamos a sua presença entre nós.
Virgíniana nata,
Era mulher forte, empoderada,
dona de si,
e de três salões de beleza.
Vaidade, requinte e sofisticação
era sua marca;
delicadeza e beleza seu nome,
família seu sobrenome.
Em você encontrava amor, cuidado e proteção,
Viveu a vida com paixão,
e fez da generosidade e bondade
sua maior marca de carisma e herança entre nós.
Amou sua mãe Celencina até seu último respirar,
amou seus irmãos como uma espécie de irmã-mãe,
amou seu esposo, seus três preciosos filhos,
além dos netos e uma quantidade absurda de sobrinhos.
Esteve junto de nós
nos bons e nos maus momentos,
seu abraço era a nossa casa,
lugar de colo e consolo.
Nunca conseguiu guardar
mágoa e rancor de ninguém,
e é por isso
que a vida sempre te fizestes tão bela e formosa.
Quando a enfermidade chegou,
encarou com tamanha bravura
a finitude da vida, sem jamais perder a fé
em Jesus e em Nossa Senhora da Piedade, de quem sempre fostes tão devota.
Pra mim, seu sobrinho-neto, era o tipo de "tiavó"
que era um pouquinho de tudo: às vezes somente tia,
às vezes amiga confidente, às vezes mãe amorosa
e às vezes um pouquinho de avó.
Em todas essas fases e versões,
fez questão de amar e escolheu ficar
amou na sua integralidade
despretensiosa
Na madrugada do dia
03 de novembro de 2018,
quando estava internada,
escutei chamar pelo meu nome.
Cheguei a achar que era minha avó,
e como vi que não havia ninguém
me chamando,
cogitei que fosse apenas algum devaneio da minha cabeça.
Hoje entendo que aquela foi
a sua despedida de mim,
e pela última vez você precisava me visitar,
como fez tantas vezes em vida.
Pela manhã, quando o telefone tocou anunciando sua Páscoa,
me recusei a acreditar,
o mundo parou bem diante dos meus olhos,
tudo ficou sem cor e sem vida.
Eu tinha um recital marcado do coro que regia.
Tive todos os motivos pra desmarcar o recital,
mas me pus a pensar
que você jamais permitiria isso,
Você amava a Arte e tudo aquilo que é belo,
e o fato deu ser Artista
era o seu maior orgulho,
como gostava sempre de dizer as suas amigas,
Naquele dia,
reuni as forças que me deu
e fui para o concerto.
Dediquei ele todo à sua memória, e à sua vida em plenitude,
Vida íntegra e bela
vida vivida na sua integralidade humana.
vida de fases, términos e novos recomeços,
Vida que se espera e que se faz ser conhecida e amada.
Sem dúvidas setembro já não é mais o mesmo faz tempo.
Hoje você não está aqui pra receber o meu abraço,
para festejarmos juntos o seu dia como fizemos tantas vezes,
Desde que partiu, perdi um pouco da vontade
de comemorar o meu dia também que ocorre duas semanas depois do seu.
Porque em todos os meus aniversários
a senhora sempre esteve presente, e ainda lido com essa falta,
Felizes foram os que te conheceram
e que conviveram contigo de verdade,
A senhora era apaixonante,
e não havia quem não se encantasse com a sua beleza, e olha que nem me refiro à estética
(muito embora fostes lindíssima), mas a beleza de quem você foi em vida.
Hoje, dia que recordamos o seu natalício,
minha prece é pra que esteja bem,
ao lado de sua mãe, irmãos e esposo
que tanto amou neste plano.
Peço que não se esqueças de mim,
que aqui continuo essa árdua tarefa chamada vida.
Hoje não podemos celebrar a sua vida física,
mas neste dia voltemos nosso coração a sua memória.
Memória que continua viva e presente entre os nós.
Aproveite a festa aí em cima, querida tia. Porque a gente sempre soube que você amava celebrar o dom da vida, e nesse plano aí de cima creio que não é muito diferente daqui.
Te amo pra sempre,
tivó Leoní!
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