(Imagem gerada por inteligente artificial)
A jovem e o Tempo
Por: Rafael Victor Ribeiro
À margem de um rio,
uma jovem menina encontrou o Tempo.
Não trazia relógio, nem bússola e, quiçá, um rosto envelhecido —
parecia apenas alguém simples, que já havia partido tantas e tantas vezes, e por isso nem fazia questão de estar ali.
— Por que és tão cruel? — perguntou ela.
O Tempo sorriu, e as águas do rio continuaram passando.
Ela contou seus planos,
as estradas que percorreu,
as aventuras que viveu
e aquelas que deixou para depois e, no final, não fez nada.
Falou das oportunidades que teve,
das oportunidades que se fecharam, das que nunca foram abertas por medo
e daquelas que aproveitou, acreditando
que sabia para onde iam.
— Eu fiz tudo o que pude — disse a jovem.
— Então, por que ainda não sou feliz?
O Tempo olhou para o rio, ficou em silêncio por alguns instantes e disse:
— Porque viver não é cumprir o roteiro de um filme.
Não há mapa para o caminhar,
nem promessa de que toda escolha
levará ao lugar a que gostaria de ir,
mas ao lugar em que era necessário estar.
A jovem chorou.
— E o que me resta?
O Tempo apontou para o rio.
— Apenas continue.
Foi aí que ela percebeu
que o rio não guardava suas águas.
Cada instante era único e partia para nunca mais voltar.
Assim, ela compreendeu, no fim, que o Tempo não vinha para matá-la,
mas para lhe ensinar
que tudo o que se vive, um dia, precisa terminar.
Não era o fim da vida.
Era o início de uma nova versão que nascera de si.
A jovem levantou-se,
olhou as correntezas tranquilas do rio, que passavam lentamente diante de seus olhos,
e, como se fosse a primeira vez, entrou na água.
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