Lorena, 03 de agosto de 2026.
À Ritinha, querida.
Bem, dizem que as boas amizades começam quando um não gosta do outro de cara. E falo isso nem por mim, porque, logo que você chegou à Igreja Metodista, eu não tinha absolutamente nada contra você. Na verdade, você me conhecia de vista, mas, até então, você era praticamente invisível para muáh. (kkkk)
Mas me recordo do dia em que cheguei ao rol de entrada da Igreja para participar de uma celebração dominical, e você falou comigo pela primeira vez dizendo que eu estava sumido dos cultos. Acredito que foi ali que nasceu a nossa amizade. Desde então, passamos a dividir o mesmo neurônio em muitas etapas da vida.
Só pra constar: como um bom ex-metodista que sou, estou escrevendo este texto quatorze dias antes do seu aniversário. Ultimamente, minha terapeuta tem me feito pensar sobre a importância que algumas pessoas têm na minha vida, e você é aquela espécie de irmã mais velha meio "descabeçada, atrapalhada" que a vida resolveu me dar. E, apesar de todos esses anos de amizade, não temos praticamente nenhum registro fotográfico juntos. Talvez porque eu acredite que os melhores momentos são aqueles que a gente eterniza na memória e no coração, sem se preocupar com flashes... apesar de você não ser nada low profile, eu diria que uma das melhores blogueiras que sigo. Provavelmente coisa do seu jeitinho leonino exibido de ser (jeitinho que eu amo!). kkkkk
Ritinha, era pra ser uma mensagem simples de aniversário, mas senti que, neste ano, eu precisava fazer diferente. Por isso estou aqui, caçando palavras para falar de você, como nos tempos dos depoimentos do finado Orkut.
Pensar na sua importância pra mim é, acima de tudo, pensar que a nossa conexão vai muito além desta vida... ou de outras, caso elas existam. Você é aquela amiga-irmã que Deus, na infinita sabedoria d'Ele, fez questão de colocar alguns anos à minha frente. Porque não ia prestar se a gente tivesse a mesma idade ou se tivesse se conhecido na adolescência.
Escrevo este texto com um profundo sentimento de pertencimento, como se eu tivesse licença para falar de você e até para defendê-la de certos falatórios, assim como seu lado leonino já me defendeu tantas vezes da maldade de gente "boa."
Quando penso em você, penso em serviço. Penso em alguém cujo coração é tão grande que encontra espaço até para ajudar quem não merece, mesmo que a vontade de mandar certas pessoas para o Hades nas mãos de Caronte e sem direito a moedinha, seja gigantesca. (KKKkk)
Muitas vezes, ao longo dessa efêmera existência, vamos perdendo um pouco do brilho de ser e nos esquecendo da grandeza que carregamos. E essa verdadeira "Convenção de Genebra" que estou escrevendo aqui serve justamente para lembrar da mulher gigante que você é. E não estou falando do seu peso — porque sei que, assim como eu, você também não é exatamente levinha. Kkkkk
Falo da grandeza da sua história. Do quanto você me edifica. Do quanto você ilumina a minha vida e a de tantas outras pessoas. Do quanto Deus contempla o seu esforço em tudo o que faz: na sua arte, na dedicação à sua casa, no cuidado com os seus filhos, com o seu sobrinho, com o marido, com os amigos e com qualquer pessoa que precise de um pouco do amor que transborda do seu coração.
Ritinha, o aniversário é seu, mas quem ganha o presente sou eu: a sua vida!
Tenho a graça de ter você por perto todos os dias, mesmo que a gente não se encontre com tanta frequência. Afinal, todos os dias a gente se fala, nem que seja para trocar memes, fazer nossas críticas existenciais ou falar mal daquele povo quadrado, sem graça e sem sal.
Em 2017, quando perdi minha avó paterna, Laura, você esteve ao meu lado. E nunca me esqueci do que você me disse durante a exéquias dela:
"É, meu amigo... Agora você ganhou uma ancestral. É hora de honrar a memória dela."
Acho que foi ali que começou, sem que eu percebesse, esse caminho de valorização da minha identidade, da minha história e da memória dos que vieram antes de mim.
Vivemos muitas coisas juntos. Você me ajudava nos almoços que eu coordenava na Igreja, me ajudava nas festas da EBD das crianças, nas celebrações ecumênicas, nos aniversários da Igreja, nas homenagens aos membros e clérigos... Enfim, você sempre esteve presente. Sempre.
E, no meio de tudo isso, percebi que nem consigo me lembrar exatamente de como "saí do armário" para você. Acho que foi tudo tão natural que sequer precisou de um grande ritual e de uma convenção. E olha que nós dois adoramos uma boa ritualística, não é? Convenhamos... um DNA de bruxinha a gente tem. E, por falar em "bruxinha", adorei o seu jardim suspenso com cara de altar da deusa Hécate. Se foi intencional, eu não sei; só sei que amei. E, já que estamos falando de bruxinhas, fama disso eu tenho de sobra... e tenho certeza de que você já me livrou de várias fogueiras do povo evangê. Kkkkk
Rita, neste novo ciclo que se inicia, quero desejar que você nunca perca aquilo que faz de você quem é. Que a vida continue sendo generosa com os seus sonhos, que Deus fortaleça os seus passos e que, todas as manhãs, quando a luz do sol atravessar a sua janela, ela também atravesse o seu coração, lembrando que sempre existe um novo motivo para recomeçar.
Que você nunca deixe de acreditar na beleza da vida, mesmo quando ela parecer pesada demais. Que jamais lhe falte esperança, pessoas sinceras ao seu redor, boas risadas, mesas fartas, café passado na hora, abraços demorados e motivos para continuar servindo ao mundo com esse coração imenso que você tem.
E, quando o cansaço tentar convencer você de que fez pouco, lembre-se de que há pessoas — como eu — que são fruto do amor que você espalhou sem nem perceber.
Obrigado por existir. Obrigado por permanecer. Obrigado por ser abrigo, conselho, gargalhada, acolhimento e presença.
Se um dia me perguntarem o que é uma amizade verdadeira, talvez eu não saiba explicar. Mas certamente vou saber apontar para você.
Feliz aniversário, Ritinha.
Que Deus continue escrevendo a sua história com a mesma delicadeza com que escreveu o seu coração. E que, quando os anos passarem e as nossas memórias forem maiores do que os nossos dias, a gente possa olhar para trás com a alegria de quem viveu uma amizade bonita, rara e daquelas que o tempo jamais consegue diminuir.
Amo você. Feliz vida.
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