O Diálogo Ecumênico e Inter-religioso Hoje: Um Chamado à Unidade.
A prática do diálogo ecumênico exige, em nossos dias, uma ressignificação profunda. Não podemos mais conceber o diálogo cristão isoladamente, sem integrá-lo à dimensão inter-religiosa, pois a atitude de fé é, em sua essência, uma questão existencial que nos convida a formar a nossa interioridade, levando a um novo modo de pensar. Ser verdadeiramente ecumênico é ir além, é sentir o coração do outro com o próprio coração, é desejar a unidade não apenas como um ideal, mas como a manifestação plena da Igreja e da comunhão da graça.
O ecumenismo, portanto, nos inspira a um novo modo de pensar e de viver a fé. Ele nos impele a redimensionar o sentido do ser cristão e o ser Igreja em um mundo tão plural e diverso. Nesse sentido, considera-se o ser "anti-ecumênico" uma desobediência ao magistério eclesial da Igreja Católica, como bem definiu o Papa Francisco: "A cultura do encontro", modo de ser indispensável, parte de novas cristologias e novas hermenêuticas bíblicas. É a ideia de que devemos sair da nossa própria bolha e ir ao encontro do outro, reconhecendo sua dignidade e seu valor, mesmo que haja diferenças de pensamento e de religião. A cultura do encontro se manifesta por meio do diálogo sincero e da escuta ativa, da empatia e da solidariedade.
Unitatis Redintegratio propõe: "Guardando a unidade nas coisas necessárias, todos na Igreja, segundo o múnus dado a cada um, conservem a devida liberdade tanto nas várias formas de vida espiritual e de disciplina, como na diversidade de ritos litúrgicos e até mesmo na elaboração teológica da verdade revelada. Mas em tudo cultivem a caridade."
Este ensinamento nos convoca a uma incessante busca pela unidade, que é o desejo de Cristo para sua Igreja.
Assim, o diálogo ecumênico se torna uma ferramenta vital para a edificação da Igreja e a promoção do amor e da compreensão entre todos os povos, sejam eles cristãos ou não cristãos.
"Mas as iniciativas locais e individuais já não bastam. A situação atual do mundo exige uma ação de conjunto a partir de uma visão clara de todos os aspectos econômicos, sociais, culturais e espirituais. Conhecedora da humanidade, a Igreja, sem pretender de modo algum imiscuir-se na política dos Estados, tem apenas um fim em vista: continuar, sob o impulso do Espírito consolador, a obra própria de Cristo, vindo ao mundo para dar testemunho da verdade, para salvar, não para condenar, para servir, não para ser servido." [Papa Paulo VI, Populorum Progressio, n° 13].
Registros fotográficos do Encontro Nacional de Formação e Convivência Ecumênica da CNBB, nos dias 12, 13 e 14 de setembro, em Jundiaí-SP.